Doenças alérgicas. “A união entre a Imunoalergologia e a MGF é crucial”

January 8, 2024
Doenças alérgicas. “A união entre a Imunoalergologia e a MGF é crucial”

Mário Morais de Almeida é um dos coordenadores da primeira edição do Allergy & Respiratory Summit 2024, que irá decorrer em 1 e 2 de fevereiro de 2024, em Lisboa. Em entrevista, o médico imunoalergologista salienta a importância do trabalho colaborativo no diagnóstico, tratamento e controlo das doenças alérgicas.

Este Summit está a ser organizado por especialistas de Imunoalergologia e Medicina Geral e Familiar. Qual a importância de se juntar estas duas especialidades?
As doenças alérgicas são transversais a todos os grupos etários e afetam uma grande percentagem da população, daí que, na maioria dos casos, o primeiro contacto é com o médico de família. Mas, a Imunoalergologia também tem um papel muito importante, já que é a especialidade que aborda estas patologias como um todo. A união entre a Imunoalergologia e a MGF é crucial, sendo ambas pilares na abordagem do doente alérgico de diferentes idades, não esquecendo a família e todos os conviventes que podem contribuir para o seu controlo.

 

Quais são os objetivos deste evento?
O objetivo é preencher lacunas, abordando estas patologias com especificidade de grupo etário, gravidade, necessidade de controlo. É necessário olhar-se para as doenças alérgicas como sendo na sua maioria crónicas e que podem ser diagnosticadas com base na avaliação clínica. Os MCDT podem ser necessários, mas é preciso saber quais devem ser pedidos, para se evitarem custos desnecessários ou até a opção por alguns MCDT que não são importantes para uma doença alérgica específica.

Com este evento queremos alargar o conhecimento dos colegas a vários níveis, nomeadamente na avaliação clínica e na escolha dos exames mais adequados a cada caso clínico, no estadiamento da doença em si, na definição de metas em termos de controlo, e na abordagem em geral, já que não basta medicação. É preciso apostar na evicção alergénica, na cessação tabágica, na prática de exercício físico e numa dieta equilibrada. No tratamento farmacológico é preciso olhar para a medicação de controlo, usada por períodos prolongados e na de agudização. No Summit vamos também falar de vacinas anti-alérgicas, fundamentais no controlo da doença, assim como nas várias vacinas e imunoestimulantes que temos disponíveis contra agentes infeciosos. Queremos que neste evento a mensagem seja muito precisa, concreta, para que se aumente a capacidade e as competências dos colegas, que pode permitir inclusive a prevenção de primária de algumas doenças alérgicas…

 

O Summit destina-se maioritariamente a médicos de MGF?
Sim, claramente, mas profissionais de outras especialidades, nomeadamente internos em formação de Imunoalergologia, Pediatria ou de Pneumologia, apenas para citar algumas… também serão bem-vindos. Com esta iniciativa pretendemos fomentar a troca de experiências, no intuito de se perceber quais as necessidades e as dificuldades de cada área.

 

Como está a decorrer a organização, já que é o primeiro Summit?
O Programa já está muito bem estabelecido; vamos ter palestrantes com muita experiência em formação. Está a ser uma atividade muito positiva! Este evento vai ser híbrido, com mais de duas centenas de participantes em sala. Contudo, esperamos ter mais algumas centenas remotamente. O evento vai ser igualmente gravado, permitindo o acesso posterior. Acreditamos que vai ser um momento formativo marcante e já pensamos no próximo, em 2025, na cidade do Porto.

Queremos muito deixar, no final, mensagens-chave e orientações para a prática clínica, esclarecendo onde está a fronteira da referenciação, lembrando que o tratamento da pessoa alérgica exige trabalho colaborativo. Não podemos esquecer que a pessoa que é acompanhado na especialidade, pode, na maioria dos casos, voltar a ser seguido quase exclusivamente pelo médico de família. O especialista em MGF é o gestor da doença, é quem conhece realmente o seu contexto social e familiar e, felizmente, temos uma MGF muito competente em Portugal.

 

Como avalia essa articulação/colaboração?
Orgulha-me imenso a forma como trabalhamos em Portugal, em colaboração, sempre na perspetiva de que aprendemos uns com os outros. Obviamente, nada é perfeito, face a diferentes realidades regionais e mesmo a questões políticas que põe em causa os direitos de médicos, enfermeiros, técnicos… e do próprio acesso da população a cuidados de saúde de qualidade.